Se pensamos em um ingrediente para hidratar profundamente a pele, sem dúvida o ácido hialurônico nos vem rapidamente à cabeça.
Nós o encontramos em séruns, cremes, bálsamos labiais e até em shampoos, porque é um dos ingredientes que, segundo os especialistas, proporciona maior hidratação e um efeito preenchedor de pele viçosa.
O ácido hialurônico é o ingrediente estrela e, precisamente por isso, há especialistas que buscam esclarecer se esse princípio é tão maravilhoso quanto nos vendem. A farmacêutica Helena Rodero conversou com a publicação Lecturas e foi isso o que ela contou a respeito.
A especialista tem uma posição clara e não hesita em dar sua opinião sincera: "Para mim, o ácido hialurônico é um ativo que não me convence em nada; prefiro muito antes a glicerina, que é um ativo muito mais barato e muito mais eficaz porque, além disso, penetra mais do que o ácido hialurônico", explica.
O que a farmacêutica realmente ressalta é a sua capacidade de hidratar. Se o ácido hialurônico faz alguma coisa, é "captar água superficialmente, e isso alcança uma pele com melhor aspecto, mas não vai fazer muito mais além disso".
Nesse sentido, o que o hialurônico faz é ajudar a pele a reter a água e, ao mesmo tempo, evitar a desidratação. O que acontece é que ingredientes clássicos como a glicerina também cumprem a mesma função e ela é apta para todos os tipos de pele. A glicerina é muito conhecida por ser um umectante natural que capta a umidade do ar e a atrai para a pele. Por isso, é um ingrediente muito utilizado tanto em cremes faciais quanto corporais para evitar o ressecamento, melhorar a maciez e manter a barreira cutânea forte.
Helena Rodero fala com total sinceridade e confessa que ela "não usaria o ácido hialurônico como um ativo cosmético interessante". É bom, mas eu não focaria em que um sérum tivesse que contê-lo obrigatoriamente". Em sua opinião, é um "ativo secundário que encarece a fórmula", ressalta.
O que acontece com o ácido hialurônico é que ele realmente não penetra em profundidade. "É uma molécula muito grande, como uma espécie de cadeia, uma glicoproteína (de açúcar e proteína) que se deposita na pele; e os mais complexos que penetram mais têm menos ação no sentido de que captam menos água", aponta.
Por outro lado, a farmacêutica ressalta que "a glicerina é pequenininha como a água e atua de maneira parecida, mas sem evaporar; então penetra na pele e se posiciona junto à água como se fosse outra, mimetiza muito bem, fica retendo", sinaliza a especialista.
O conselho que Helena deixa é não gastar mais de 100 reais em um sérum de ácido hialurônico e investir melhor em séruns que tenham ingredientes mais ativos, como a famosa vitamina C ou o retinol. Ambos os princípios com evidência científica.
Agora, se o que se necessita é de um sérum ou creme hidratante, mais do que buscar ácido hialurônico, é melhor que o produto que "contenha água, glicerina, ceramidas, esqualano, manteiga de karité... Tudo isso vai funcionar bem e não vai aumentar o preço se você quer hidratar e reparar a pele", assinala Rodero.
Mas se o que se busca são princípios ativos com ação antienvelhecimento, então é necessário muito mais do que hidratação. Dois dos ingredientes nos quais temos que prestar atenção são o "L-ascorbic acid (a vitamina C mais eficaz) e retinol", pontua.
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